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Anexo:Ela pode ter sido estuprada
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''Artigo de argumento para o [[Aborto]]'' ==Argumento: Ela pode ter sido estuprada== Uma justificativa bastante utilizada para a legalização do aborto é o fato de que o feto é fruto de uma violação, no caso de um estupro. Segundo esta ideia, por conta de a mulher ter sido estuprada, ela teria o direito de realizar o aborto, visto que as consequências dessa agressão não são de responsabilidade dela, supostamente, e, portanto, ela não teria a obrigação de manter a gravidez ou de cuidar da criança após o nascimento. Não raramente também é dito que se a criança nascer, ela não será amada pela mãe, ou que a mãe descontará a raiva na criança, tratá-la-á mal por conta do que foi sofrido; ou então que a mãe ficará traumatizada com a violação que sofreu e se lembrará do estuprador sempre que vir seu filho, e, dessa forma, é mais preferível que se aborte e prive tanto a futura criança quanto a mãe de sofrer dessa forma. Sem dúvida alguma, o estupro é uma terrível agressão, injustificável e indefensável por qualquer indivíduo em sã consciência. Na minha opinião, é a mais invasiva e mais repugnante agressão, em certos casos até mais que o assassinato, e o agressor deve ser penalizado com a mais severa punição. Deixando a subjetividade de lado, vamos aos fatos. Sabe-se, pela matemática, que o produto de dois números negativos resulta em um número positivo. No campo da ética, entretanto, duas ações erradas não podem resultar em uma certa. É fato que o estupro é uma ação incorreta, mas a realização de outra atitude igualmente incorreta, no caso, o aborto, não torna a situação eticamente melhor<ref> Igualmente incorreta no sentido de ambas terem o mesmo valor ético. A validade de uma ação é uma dicotomia: ou a ação é válida ou é inválida, não há meio termo. Isso não quer dizer que a punição para estas ações deve ser a mesma, ou que elas são equiparáveis, mas sim que são ambas incorretas, antiéticas.</ref>. Em outras palavras, não faz sentido acreditar que o aborto é antiético em todos os casos com exceção dos casos em que há estupro, simplesmente porque uma ação não deixa de ser errada apenas porque outra ação errada foi a causa dela. Analogamente, como já dito anteriormente, um roubo de uma caneta não deixa de ser uma ação errada caso ela seja a condição para salvar a vida de alguém. Pode ser considerado algo nobre de ser feito, um ato de heroísmo, mas nada altera o fato de que a agressão da propriedade é uma atitude antiética e injustificável, independentemente das circunstâncias. Por injustificável eu quero dizer impossível de ser defendida como certa ou como não errada. Para esclarecer melhor, permita-me fazer uma analogia. Imagine que há três indivíduos em uma sala: A, B e C. O indivíduo A ameaça o indivíduo B, dizendo que se este não matasse o indivíduo C, então ele (o indivíduo B) seria assassinado. O indivíduo B se vê em uma enrascada, pensa, reflete e prefere matar o indivíduo C para poupar sua própria vida, porque ele tem esposa, filhos, está em um emprego novo, tem planos para o final do ano e tudo mais. Nesse exemplo, uma pessoa se viu ameaçada por outra (uma ação antiética) e, para salvar sua própria vida, decidiu realizar outra ação antiética. O fato de a motivação que levou o indivíduo B a cometer o assassinato ser uma ação incorreta (uma ameaça) não tira o peso da “antieticidade” do assassinato. Em suma, a validade de uma ação não se altera por conta da diferença das circunstâncias, como já foi explicado anteriormente. ===Prevendo o futuro=== Saindo do apriorismo e respondendo à objeção de que a criança não será tão amada quanto seria caso não fosse fruto de um estupro, saliento que, apesar de parecer intuitivo, não pode ser tomado como regra. Antes de tudo, vou desconsiderar a presunção de vidência de quem usa esse tipo de afirmação como argumento para validar o aborto, como se o futuro fosse objetivamente previsível. Também, para fins de discussão, desconsiderarei o fato de que um indivíduo supostamente não ser desejado pelos pais não é um critério válido para avaliar se ele merece viver ou não, viso que o valor que ele dará a vida é subjetivo a ele próprio e a ninguém mais. Isto posto, sabe-se que se uma proposição é tida como uma regra geral, supostamente válida em todos os casos, e é apresentado pelo menos um caso em que ela falha, então ela deixa de ser uma regra geral. Se eu digo, por exemplo, que é impossível passar na prova sem estudar e é observado pelo menos um caso em que um estudante conseguiu passar sem estudar, seja colando ou chutando as respostas, então a proposição que eu inferi está incorreta, e é evidenciada como incorreta a cada novo caso semelhante observado. Dessa forma, se é dito categoricamente que a criança não será amada pelos pais e se for apresentado pelo menos um caso em que isso é falso, então isso já não pode ser tomado como verdade absoluta, mas sim apenas como verdadeiro em certos casos, ainda que sendo a maioria. Assim, apresentarei falas do caso de uma mulher, apresentada como Catherine, moradora do Reino Unido, mãe solteira de dois filhos que foi estuprada por um amigo na casa dele<ref>Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/geral-42100365, acessado em 23/04/2018.</ref>. O texto na íntegra pode ser encontrado no link presente na referência. :“[...] Eu nunca considerei a possibilidade de abortar. Eu sabia que era uma opção. Nunca fui anti-aborto ou "pró-vida". Acho que é uma escolha de cada uma. Mas, pessoalmente, achei que o ato de tirar o bebê fosse na realidade piorar as coisas. Senti que seria mais difícil viver com o aborto do que com as dificuldades provocadas por mais um filho que eu não estava esperando, mesmo que eu já tivesse outras duas crianças para cuidar. :[...] O que me permitiu lidar com isto (com as dificuldades durante e após o parto) foi o fato de que eu sempre protegi meu filho. Se não fosse por isto, seria impossível de lidar. Ele foi a única coisa positiva que resultou do que ocorreu. :[...] Posso jurar que não teve nenhum impacto na minha ligação com o meu filho a forma como ele foi concebido. Certamente não de forma consciente. A única coisa que eu tenho que repetir para mim mesma é que o meu filho não tem nada a ver com o estupro, quando eu olho nos olhos dele ou noto algum maneirismo típico do pai. E isso funciona como um gatilho, às vezes. A reação é física. Eu amo meu filho, desde o momento em que ele nasceu. :[...] Depende de você e do seu filho. Seria muito ruim se eu tivesse tido a criança e não tivesse tido condições de lidar com ela e com esse passado. Se eu não tivesse tido condições de dar o amor, a proteção e o sustento que ele precisa. Seria um segundo erro. Às vezes é muito solitário, é muito difícil. Mas a coisa mais importante, da minha perspectiva, é que eu consegui transformar algo negativo (o estupro) em algo positivo, que é o meu filho.” Dispensarei comentários para evitar possíveis enviesamentos. Apresentarei, ainda, outros casos, mesmo não sendo necessário, já que apenas um é o suficiente para mostrar que a suposta regra geral não é, de fato, geral. Desta vez, uma mulher brasileira, identificada como Regiane Marques, de 38 anos, moradora de Maricá, RJ, foi estuprada em um lixão quando voltava de um jantar com as amigas. :“Regiane morava sozinha com dois filhos pequenos e quis tirar a criança. Chegou a ir ao hospital para fazer o aborto, mas começou a passar mal. O único lugar disponível para ser atendida era a maternidade. “Quando vi aquelas mães felizes com seus filhos nos braços, resolvi ter o bebê”, conta. Ela se mudou, então, para o Novo Gama, nos arredores de Brasília, onde superou a dor da violência e hoje é feliz ao lado de Maria Vitória, de 1 ano e 7 meses.” <ref>Disponível em https://istoe.com.br/307105_FILHOS+DO+ESTUPRO/, acessado em 23/04/2018</ref> Há o caso, também, de Carlinda José, moradora de Anápolis, GO, que foi estuprada e descobriu estar grávida aos 21 anos. :“Aos 21 anos, ela descobriu que estava grávida, já no quinto mês de gestação, após um estupro. Não pensou duas vezes, fez as malas e fugiu de Anápolis (GO) para a casa de uma prima, em Brasília, com medo de se tornar a vergonha da família. O objetivo era pular de um viaduto e se matar. Ela tentou duas vezes, mas o bebê mexia dentro da barriga e tirava a sua coragem. Na terceira tentativa, diz que sentiu uma mão em seu ombro e ouviu um pedido para que não se jogasse. “Olhei para trás e não tinha ninguém. Fui embora chorando, desesperada, e me dei conta de que queria ter a criança”, conta. :Hoje, de volta à sua cidade e com 61 anos, Carlinda está casada há 39 e é mãe de quatro filhos. A filha nascida do estupro é a mais velha, a técnica Cíntia Aparecida Flávio, 39, que tinha apenas 7 anos quando descobriu não ser filha do seu pai. [...] Mas foi aos 21 anos, grávida do seu filho Rafael – hoje com 18 – que a jovem descobriu toda a verdade. “Nunca mais quis conhecê-lo e passei a admirar e amar ainda mais a minha mãe.”” Dessa forma, apresentados casos que demonstram a invalidade da suposta regra de que a criança não será amada pela mãe após o nascimento, retorno ao ponto principal, para finalizar: o fato de uma agressão como o estupro ser a causa da gestação não dá o direito à mãe de realizar outra agressão. Torno a repetir que foi discutido na introdução acerca da validade de ações: o que aqui está sendo discutido é a validade do ato de abortar, ou seja, um conceito objetivo e dicotômico. Ou abortar é certo ou abortar é errado, sem meio termo baseado em subjetividade. Por isso, as circunstâncias sob as quais a ação foi executada são irrelevantes, pois, o objeto da análise é a ação em si, não as motivações ou as consequências indiretas dela. Tenho total ciência de que um leitor desavisado pode me achar um monstro desumano agora por dizer que a mãe não tem o direito de abortar caso seja estuprada, ou que eu me acho o dono da verdade a ponto de “mandar” na vida da mãe e obriga-la a carregar o fruto de um estupro. Se você pensa isso de mim, convido-o a ler novamente, com calma e atenção, a introdução deste artigo, e a refletir sobre o que exatamente eu estou discutindo aqui, para que perceba que não estou dizendo que a mãe deve que ser punida caso realize a ação, nem que alguém tem que ser obrigado a impedi-la de fazer isso, muito menos que devem-se criar leis mais rigorosas para impedir que isso aconteça. A única coisa que estou a fazer aqui é avaliando eticamente a ação, e, para tal, os fatores emocionais são irrelevantes; o que não quer dizer que eu não os levaria em consideração caso a discussão não fosse sobre ética. Nada mais. ==Referências== <references/> [[Categoria: Anexo]]
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