Anexo:Só mulheres podem opinar

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Artigo de argumento para o Aborto

Argumento: Só mulheres podem opinar[editar]

Algumas pessoas mais radicais as vezes usam o argumento de que apenas as mulheres têm o direito de decidir sobre a validade do aborto porque elas são os agentes ativos da ação, além de serem as protagonistas da gestação e, portanto, a opinião dos homens não deve ser levada em conta. Faltam-me palavras para dizer o quão pífio é tal posicionamento. O exato mesmo argumento pode ser usado para defender que apenas estupradores podem opinar sobre estupro, que apenas assassinos podem opinar sobre assassinato e que apenas ladrões podem opinar sobre roubo. Não há qualquer consistência na defesa de que apenas uma classe de pessoas pode ter o direito de opinar sobre um dado assunto; ou que apenas a opinião de uma classe de pessoas pode ser levada em conta pelo povo ou pelas supostas autoridades. Além do mais, tal afirmação é falaciosa. Consiste na falácia ad hominem, na qual a natureza do autor do argumento é atacada, em vez do argumento em si. Neste caso, é dito que a opinião dos homens não deve ser levada a sério simplesmente por eles serem homens, em vez de ser apontado o erro em tais opiniões.

Qualquer indivíduo é livre para se expressar da maneira que bem quiser. Isso inclui realizar argumentações, críticas, objeções, conselhos ou condenações sobre qualquer coisa, bem como este artigo o faz em relação ao aborto. Além disso, a relevância do que é dito pelo indivíduo é determinada pelos outros indivíduos ouvintes – não pelo coletivo, já que o coletivo não é um ser pensante em si –, visto que o valor de uma opinião é subjetiva a cada indivíduo. Assim, se um posicionamento sobre um determinado assunto for tomado por uma mulher, um homem, um negro, um gay, um asiático, um judeu ou um índio, não importa; o que importa é o conteúdo do posicionamento, não a natureza de quem o profere. Não há como justificar que uma opinião proferida por um homem não tem ‘validade’, enquanto a mesma opinião proferida por uma mulher tem, além de que o critério para definir se uma opinião é ‘válida’ ou não é, além de arbitrário é elitista, pois confere esse privilégio a uma classe de indivíduos e diz que os não pertencentes a esta classe não devem ser ouvidos.

Outrossim, o conteúdo de uma proposição, de um argumento ou de uma linha de raciocínio, de qualquer natureza que seja – no caso, contra o aborto –, caso seja fundamentado racionalmente, seja usando conhecimentos a priori ou a posteriori, tem pretensão de ser objetivamente e universalmente verdadeiro e, portanto, pouco importa o gênero, cor, religião, orientação sexual ou qualquer outra característica de quem estiver argumentando. A verdade não se molda de acordo com quem está a proferi-la. Se é possível concluir racionalmente que todos os seres humanos são mortais, então não importa se fui eu, Adolf Hitler, Michael Jackson, Cristiano Ronaldo ou o seu vizinho que proferiu tal proposição, pois ela é absolutamente válida, independente do locutor.

Além do mais, dizer que apenas as mulheres devem ser ouvidas quando o assunto é aborto é uma atitude egoísta, visto que é retirado do pai qualquer ônus de responsabilidade e importância numa decisão com cuja causa está intimamente relacionado. O pai do feto ou bebê é tão responsável quanto a mãe, pois sem ele não haveria gestação. Sim, sabemos que sem a mãe também não haveria gestação, mas não é dela que estou a falar agora. Ocorre que há uma decisão entre o homem e a mulher – com exceção dos casos de estupro – para que se faça o ato sexual e, com ele, assumam-se os riscos que ele pode desdobrar. Dessa forma, por que apenas a opinião da mãe deve ser levada em conta acerca, já que ambos foram responsáveis?

Ademais, se o posicionamento do pai não importa, então por que ele é criticado caso engravide a mulher e a abandone? Se a gestação e o aborto são questões que só podem ser discutidos exclusivamente por mulheres, não faz sentido reclamar caso um homem não assuma o filho, já que, segundo este próprio argumento, sua opinião e posicionamento não importam. Ainda, o mesmo argumento poderia ser usado para defender o lado do pai que deseja abandonar a mãe. O acompanhamento da gestação e/ou do aborto é um problema do pai, então cabe apenas a ele decidir se deseja participar ou não. Nota: Deixo claro aqui que não defendo o abandono: repugno completamente tal prática. Estou apenas mostrando que é possível utilizar o mesmo argumento para defender o lado oposto, o que revela uma falha no raciocínio.

Não raramente o abandono da mãe gestante pelo pai é chamado de “aborto paterno”. Como quase todos os outros argumentos contra o aborto, este é um argumento consequencialista, que concede tal suposto direito à mãe se ela estiver em uma determinada circunstância, como o abandono. Ocorre que, novamente, como já foi explicado anteriormente, para a determinação da validade de uma ação não são levadas em conta as circunstâncias que a levaram a ser cometida, muito menos as causalidades que dela incorrem e que fujam do juízo de valor de quem a apoia, pois tudo isso são critérios subjetivos. A atitude do pai de abandonar a mãe gestante é errada, pois, ele agiu propositadamente para fazer a relação sexual e, portanto, assumiu os ricos e as responsabilidades da ação e de suas externalidades, que no caso é o bebê.

Referências[editar]

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